Russell Sousa considera que os erros verificados nos exames nacionais exigem uma resposta excecional do Governo da República e apela ao Governo Regional para defender os interesses dos jovens açorianos.
O Presidente da Juventude Socialista dos Açores, Russell Sousa, defendeu esta segunda-feira, em Ponta Delgada, que, de forma excecional em 2026, o contingente prioritário destinado aos estudantes açorianos seja aplicado em todas as fases de acesso ao ensino superior, incluindo a segunda fase e a candidatura decorrente da época extraordinária de exames anunciada pelo Governo da República.
Em conferência de imprensa com o Partido Socialista dos Açores, Russell Sousa afirmou que “não podem ser os estudantes açorianos a suportar as consequências de erros pelos quais não têm qualquer responsabilidade”, sublinhando que as sucessivas falhas registadas na realização e divulgação dos exames nacionais criaram uma situação inédita que exige uma solução igualmente excecional.
“O que aconteceu este ano não foi normal. Houve atrasos na divulgação das classificações, resultados suspensos, erros na publicação das notas e jovens que tiveram de decidir se avançavam para a segunda fase sem sequer conhecerem o resultado definitivo da primeira”, afirmou.
O dirigente da JS/Açores lembrou que, em alguns casos, estudantes receberam inicialmente uma classificação de zero, inscreveram-se na segunda fase com base nessa informação e só mais tarde souberam que o resultado estava errado, sendo obrigados a reorganizar toda a preparação para os exames e o seu percurso de acesso ao ensino superior.
Segundo Russell Sousa, esta situação torna-se ainda mais penalizadora para os estudantes açorianos porque a legislação atualmente em vigor não permite beneficiar do contingente prioritário dos Açores na segunda fase de candidatura.
“Sabemos que esta regra já existia, mas aquilo que aconteceu este ano é absolutamente excecional. Não faz sentido que um estudante açoriano seja prejudicado por erros da Administração e, por isso, defendemos que o contingente seja aplicado em todas as fases de candidatura durante este ano”, sustentou.
O Presidente da JS/Açores salientou ainda que os jovens açorianos enfrentam desafios acrescidos no acesso ao ensino superior, consequência da condição ultraperiférica da Região.
“Um estudante açoriano que entra no ensino superior precisa de organizar viagens, encontrar alojamento, planear uma mudança e preparar uma nova vida, seja no continente ou noutra ilha. Cada atraso significa mais ansiedade, mais incerteza e maiores dificuldades para as famílias”, referiu.
Russell Sousa recordou que o próprio Governo da República reconheceu a gravidade da situação ao criar uma época extraordinária de exames, considerando que deve agora demonstrar a mesma capacidade para assegurar que nenhum estudante açoriano perde o acesso ao contingente regional por motivos que lhe são totalmente alheios.
“Aquilo que defendemos não é um privilégio. É uma questão de justiça. O contingente dos Açores existe precisamente porque o Estado reconhece que a insularidade cria dificuldades adicionais no acesso ao ensino superior. Não podemos aceitar que, perante falhas tão graves, sejam precisamente os estudantes açorianos a sair prejudicados”, afirmou.
A JS/Açores apelou ainda ao Governo Regional para que assuma uma posição firme junto do Governo da República e das entidades competentes, defendendo os interesses dos estudantes açorianos e exigindo que seja encontrada uma solução que impeça qualquer discriminação no acesso ao ensino superior.
No final da intervenção, Russell Sousa deixou uma palavra de reconhecimento a toda a comunidade educativa, destacando o trabalho desenvolvido pelos professores, trabalhadores não docentes, serviços administrativos e órgãos de gestão das escolas, bem como a resiliência demonstrada pelos estudantes e pelas suas famílias ao longo de um processo marcado por sucessivos atrasos, incertezas e constrangimentos.
“Os jovens fizeram a sua parte. Agora é o Governo da República que tem de fazer a sua, garantindo que nenhum estudante açoriano é prejudicado por erros que não cometeu”, concluiu.